Caras & Bocas

Pasquim abandona personagens descamisados em ‘Caras & Bocas’

Posted on: junho 15, 2009

Marcos Pasquim deixou os personagens descamisados para viver Denis em 'Caras & Bocas'

Marcos Pasquim deixou os personagens descamisados para viver Denis em 'Caras & Bocas'

Marcos Pasquim se comporta como um moleque. Com um vocabulário recheado de gírias e ginga de quem mora há anos no Rio, o paulistano que está prestes a completar 40 anos de idade no próximo dia 14 parece ainda não sentir os efeitos do tempo. Nem mesmo em seus personagens. Apesar de interpretar o sereno Denis, em Caras & Bocas, seu primeiro papel que quase sempre aparece “vestido” em cena, sem mostrar o tórax nu, o ator lamenta com sutileza por praticamente só atuar em novelas no horário das sete. “Isso não depende de mim. Mas é claro que ficaria feliz por fazer novela das oito, ou mesmo até alguma das seis”, assume, com um sorriso rasgado.

Com 14 anos de carreira, Pasquim tem jogo de cintura principalmente para ser diplomático na profissão. Depois de estrear na Globo em Cara e Coroa, o ator fez uma breve passagem pela Band com Mandacaru, em 1997, até ir trabalhar na emissora argentina Telefe para gravar Chiquititas, exibida no mesmo ano pelo SBT.

Logo depois, voltou para a Globo, onde começou a emplacar “descamisados” valentes a partir de Uga Uga, com o viril Van Damme.

De lá para cá, as crescentes cenas de ação fizeram parte do cotidiano do ator em seus trabalhos com o autor Carlos Lombardi. Só agora, com o pacato pintor Denis, que luta para criar sozinho o filho Espeto, vivido por David Lucas, que Pasquim experimenta um personagem menos acelerado, com matizes mais suaves. “Com meus protagonistas do Lombardi, já entrava no estúdio e começava a gravar. Agora chego a esperar horas, estou em outro ritmo, mas continuo pronto para qualquer cena de ação”, avisa.

Em 14 anos de carreira, desde que estreou em Cara e Coroa, você nunca atuou numa trama das oito e já foi até apelidado de “o Rei das Sete”. Como você lida com isso ao atuar novamente neste horário?
Para mim, tudo é trabalho. Não tenho problemas com o horário das sete. Normalmente, faço personagens cômicos e o horário das sete é onde há uma veia de comédia mais forte. Mas não me vejo preso nas sete. O problema é que só fiz novela neste horário, além de produtos como Malhação e Guerra e Paz. Isso não depende de mim. Mas ficaria muito feliz em fazer uma novela das oito ou até alguma das seis…

Apesar de ser um horário que explora mais a comédia, em A Lua Me Disse seu personagem era dramático. O Denis, em Caras & Bocas, não tem o tom cômico de seus outros papéis no horário…
É verdade, em A Lua Me Disse eu fazia o vilão. De cômico, não tinha nada. E o Denis também não tem tanto humor. Claro que tem cenas engraçadas, gravo com um macaco, mas esse personagem é diferente de todos que já fiz. Ele é mais sério, sofrido, um paizão que cria o filho sozinho, tenta vender os quadros dele. Não estou mais tirando a camisa. Isso já acho muito bacana.
Nas ruas, as pessoas vêm sempre falar do macaco, do meu filho Espeto, vivido pelo David Lucas. O público tem curtido. Já me disseram: “Poxa, dessa vez você não tem tirado a camisa”. Mas ainda não me falaram: “Cara, você está demais!”

Era isso que você queria escutar?
Adoraria. Me dedico muito aos personagens. Desde quando o (diretor) Jorginho Fernando me chamou para este trabalho, comecei a fazer laboratório com o artista plástico René Machado, que é marido da Ingrid Guimarães. Ele me ensinou algumas coisas sobre pintura. Nunca havia mexido com tintas e telas. Fui para a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, participei de algumas aulas com ele, assisti a filmes, como “Pollock” (que conta a história do pintor americano Paul Jackson Pollock), que é incrível.
Tanto que, hoje em dia, tenho vontade de pintar no estilo do Pollock: jogar a tela no chão e derramar as tintas sobre ela, sem passar o pincel. Fora isso, todos os dias que tenho cenas com o macaco, chego mais cedo, entro na jaula, converso com a Kate, que é a chimpanzé. Tenho um processo de aproximação com ela, que é uma macaca fantástica.

Em 2008 você ficou voltado para Guerra e Paz, que era um seriado. Foi um respiro fazer um outro formato de dramaturgia na tevê para depois retornar às novelas?
Quando me chamaram para fazer Guerra e Paz, fiquei alucinado, pensei: um capítulo por semana! Vai ser lindo porque vou trabalhar menos. Tudo mentira! Gravava mais em Guerra e Paz do que em Caras & Bocas. Trabalhava cinco dias por semana direto, sem parar, aquela coisa do Lombardi: corria, pulava, saltava, mancava, beijava. O ritmo de gravação era o mesmo de novela. Não tive folga. Agora, nessa trama é que estou mais tranqüilo, mais à vontade. O único problema é que tenho esperado muito para gravar. Marcam com a gente a gravação para uma hora da tarde e começo a gravar às três, quatro. Isso não acontecia comigo nas novelas do Lombardi. Já chegava e começava a gravar até a última cena.

Como foi essa adaptação com o texto mais tranquilo do Walcyr Carrasco após passar anos com uma exigência física pelo excesso de cenas de ação do Lombardi?
Essa tranqüilidade tem facilitado muito. O fator estressante desse trabalho é a macaca (risos). Ela traz um monte de imprevistos. Nunca sabemos como a Kate vai estar. A própria (Elizabeth) Savalla também está passando por isso em suas cenas. Outro dia, ela fez uma cena simples, mais saiu toda suada. A gente transpira muito porque tem de controlar a situação inteira.
É difícil saber se a macaca vai te dar o pincel, se ela vai se estressar. Mas tem sido muito tranqüilo trabalhar com o David Lucas, que é um companheiro de cena fantástico, e a Ingrid, que é incrível.

Além de gravar menos nessa novela, Caras & Bocas marca sua carreira por você não ter de aparecer na maior parte das cenas sem camisa. Como você lidava e ainda lida por ter sido rotulado como um ator “descamisado”?
Isso realmente marcou minha carreira. Mas lembro que o Antônio Fagundes, no começo da profissão, só aparecia sem camisa, com peito de fora, camisa aberta. Quando atuei em O Quinto dos Infernos fiz sucesso e pude mostrar que me destaco também pelo personagem. Fiz um grande trabalho ali. Não me destaquei apenas porque tirava a camisa. Até porque, como estava sempre sem roupa, as pessoas se acostumaram e passaram a prestar atenção no que eu estava falando. Viram que eu falava direitinho. Mas, hoje em dia, isso não me incomoda mais. Lembro que em Uga Uga ficava chateado, incomodado. Quando percebi que estava muito sem camisa, falava para os diretores: “Caramba, estou sempre sem camisa. Por quê?”. A Nair Belo me batia, dava tapões em cena que doíam. Os diretores respondiam: “Está escrito aqui: você tem de estar sem camisa”. Aquilo me importunava no começo. Mas era pago para fazer. Em Caras & Bocas já tive de tirar a camisa em dois momentos: quando o Denis transou com a personagem da Ingrid e quando deu banho no macaco. Essa não é a tônica do Walcyr.

Mas você já começou a carreira numa peça em que o físico era muito valorizado, que foi Blue Jeans, do Wolf Maya…
Sempre tive cuidado com o corpo porque já era modelo, mas o esporte me dá muito prazer. Blue Jeans foi minha primeira grande chance. Trabalhava como programador de computador e modelo. Comecei a ganhar mais dinheiro como modelo. Era melhor para a minha saúde porque eu conseguia equilibrar meus horários. Como programador, tinha de acordar às 4 h da manhã para entrar às 6 h no trabalho. Um dia, me chamaram para fazer teste para uma propaganda com texto. Passei para o comercial porque viram que eu sabia falar e segurar uma fala. Logo em seguida, fiz o teste do Blue Jeans e passei em primeiro lugar. Quando me vi no palco, percebi que era o que eu queria da vida. Precisava aprender aquilo.
Depois, acabei protagonizando a peça anos depois. Como era o Wolf Maya que dirigia, as pessoas da peça saíam direto para as novelas dele. Foi assim com Cara e Coroa. Em todas as novelas do Carlos Lombardi, percebi que as tramas necessitavam disso, de personagens sem camisa. O barato dele é esse. Mas não fui só eu quem tirei. Antes de mim era o Mário Gomes, depois veio o Humberto Martins e eu. Logo virão outros. Eu era o cara da vez.

O outro lado

Por quase sempre viver papéis de ação em heróis e anti-heróis na tevê, Marcos Pasquim quis percorrer o caminho inverso longe das câmaras. Paralelamente a seus personagens intrépidos na telinha, o ator sempre buscou alternativas fora da televisão para fugir da sua rotina eletrizante das gravações. No teatro, por exemplo, costuma atuar em papéis mais tranquilos. “O teatro sempre foi minha válvula de escape, onde eu me reciclo longe da tevê”, explica. O que mais tem incentivado o ator nas horas de folga, no entanto, tem sido sua experiência como diretor de curtas. Este ano, chegou a filmar dois: CD Player e CD Player Máscaras, que fazem parte de uma trilogia protagonizada por Danielle Suzuki e Alexandre Slavieiro. “Quando fui para trás das câmaras comecei a enxergar os diretores na tevê com outros olhos e mais respeito. Estou adorando esse lado. Quem sabe um dia não viro diretor de longas e de tevê?”, anima-se.

Trabalhar por trás das câmaras foi a única forma encontrada por Pasquim para poder ter contato com a telona. Afinal, em mais de uma década de carreira como ator, o paulistano jamais foi convidado para integrar o elenco de algum filme. “Como eu queria fazer cinema! Mas não conheço ninguém e nunca corri atrás. Preciso focar mais nisso”, pondera.

Mosaico de experiências

Marcos Pasquim já trabalhou em diversas áreas antes de ser ator. Foi auxiliar de escritório, modelo, vendedor, programador de computador e até cambista de jogo do bicho.

Segundo o ator, cada experiência contribuiu para características específicas de seus personagens na tevê e trouxe muito jogo de cintura na carreira como ator. “Para cada personagem que aparece puxo informações da minha memória afetiva e profissional. Hoje, essas experiências me ajudam como ator”, garante.

Trajetória Televisiva

Cara e Coroa (Globo, 1995) – Cosme
Mandacaru (Manchete, 1997) – Eduardo Alencar
Malhação (Globo, 1997) – Milton
Chiquititas (SBT, 1997) – Felipe
Uga Uga (Globo, 2000) – Casemiro Van Damme
Estrela Guia (Globo, 2001) – Edmilson
O Quinto dos Infernos (Globo, 2002) – Dom Pedro I
Kubanacan (Globo, 2003) – Esteban, Adriano e Leon
A Lua Me Disse (Globo, 2005) – Tadeu
Bang Bang (Globo, 2006) – Crazy Jake
Pé na Jaca (Globo, 2006) – Lance
Guerra e Paz (Globo, 2007) – Pedro Guerra
Caras & Bocas (Globo, 2009) – Denis

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